HISTÓRIAS E ESTÓRIAS

Eu conheci um Espião Alemão
Luiz Antonio Stephan
Entre as amizades de papai se destacavam alguns da área comercial como: Sr. Badaraco (Casa Badaraco refrigeração), Sr. Oswaldo (churrascaria José Weiss), Augusto Canizza (vendedor de Tripas e condimentos e Amaro de Sousa Carneiro (vendedor de especiarias).
Esse último, Comerciante, tido como português, estabelecido na Rua do Riachuelo, Zona atacadista do Rio de Janeiro, na época, anos 50 e 60 do seculo XX, era fornecedor de especiarias; pimenta do reino, noz moscada, cravo da índia etc.
Quando me estabeleci,por conta própria, em 1974 com o "STEPHAN", recomecei os negócios com Sr. Amaro e adquiri seus produtos por mais alguns tempo. Lembro-me de longas conversas, na sobreloja do açougue da Rua Batista de Oliveira. Até que, um dia, fiquei sabendo do seu. falecimento.
Passou-se mais um grande período, até a década de 1980,e certo dia, comprei uma edição da revista REALIDADE que era um fenômeno editorial da época e que eu habitualmente lia todas as semanas.
Nesse número em especial encontrei uma matéria sobre a “Espionagem Alemã, No Brasil, Durante a Segunda Guerra Mundial”.
A matéria citava que existia na Central Do Brasil (estação ferroviária no Rio de Janeiro) um bar e nesse estabelecimento, um rádio transmissor que servia à espionagem alemã no Brasil e o dono era: AMARO SHAFE* – Codinome, Amaro de Sousa Carneiro. Explicava também que essa pessoa depois da guerra tinha se estabelecido na Rua do Riachuelo como importador de especiarias.
Eu não guardei essa revista!
Esse era um bom profissional: nunca desconfiei que ele não era português e sim alemão.
*SHAFE é carneiro na língua alemã.






O EISBEN
Luiz Antonio Stephan
Vamos falar a verdade: ninguém em Juiz de Fora, descendente de alemão ou não, conhecia o tal de JOELHO DE PORCO, EISBEIN DEFUMADO , antes de 1990, ano da primeira festa alemã nesse modelo atual. Sabe por que? Não existia, foi invenção nossa,
Vou contar a história de como surgiu esse produto fenomenal que virou o mais cobiçado nas festa alemã do Borboleta um ícone.

Eu e Edgard* fazíamos um "par perfeito" há muitos anos: ele na fabricação e eu no marketing e vendas. Fabricávamos uma linha bem extensa de produtos com carne de porco: linguiças, frios defumados, linguiças e salgados e nossa empresa era um sucesso.
Em maio de 1998 viajamos para para Frankfurt am Main** onde permanecemos por três dias. O Principal objetivo era visitar a IFFA - Feira Internacional para a Indústria da Carne***.
Era nossa primeira vez na Alemanha e sabíamos estar no melhor lugar possível para aprender muito sobre nosso ramo. Ficávamos na feira desde que abria ate quando fechava, visitamos 2 frigoríficos e fomos a restaurantes típicos e barracas de comida nas ruas. Um espetáculo, uma profusão de temperos diferentes, nas inúmeras variedades de embutidos e frios, tudo fabricado com carne de porco.
Já no Brasil, analisamos tudo que vimos e sentimos nessa viagem, ponderamos sobre nossos hábitos alimentares e optamos por lançar o que seria uma linha chamada de "produtos típicos alemães" composta dos seguintes produtos que já eram fabricados : Salsichão (WURST) e linguiça temperada com vinho ( Wein Wurst); e
seriam acrescentados novos produtos: Salsichão Branco (Weisswurst) Carré defumado ( Kasseler) e Joelho de porco (eisbein). Começamos , então, as venda dessa nova linha.
Tudo corria dentro da expectativa, menos o tal do joelho de porco (eisbein)
Na Alemanha e no sul do Brasil esse produto era comercializado na forma de "salmourado", ou seja, salgado e para prepará-lo era necessário dessalgar passando por troca de várias águas, era servido cosido. Era gostoso, mas, tinha pouca carne, mais cartilagem, ficava feio, muito branco e sem apresentação. Imaginei: isso não vai "pegar".
Depois de vários estudos e experiências chegamos a um novo "Eisbein": O corte seria alongado em direção do pernil ( para obter mais carne) e seria defumado (do jeito que brasileiro gosta) aí começou a vender e a ser copiado em todo o Brasil.
Em outubro de 1989 o Luiz Chinelato, representando a Igreja de São Vicente de Paulo, no Borboleta, me procurou dizendo , no Stephan, dizendo que precisava fazer uma festa para terminar o telhado da igreja.
Sugerimos , então uma "Festa Alemã" ,os produtos para desenvolver o cardápio da festa já estavam à disposição.
Foi aí que surgiu a "Festa Alemã do Borboleta" e a "tradição" dos produtos da colônia alemã de Juiz de Fora.
* Edgard é meu cunhado e na época eramos sócios no "Stephan".
** Frankfurt am Main =Frankfurt do Meno- É a Frankfurt famosa que conhecemos é chamada assim porque existe outra cidade homônima na Alemanha.
***A Feira é realizada a cada três anos e aborda todas as etapas da cadeia produtiva da carne, desde o abate, passando pelo processamento e embalagens, até a venda.
A Avenida Governador Benedito Valadares já se chamou Avenida Manoel Honório, e depois passou a se chamar Rua Berlim. Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, o seu nome foi modificado em 1942, a pedido dos moradores, por fazer alusão a uma cidade da Alemanha, país que estava em conflito com o Brasil.

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