sábado, 1 de outubro de 2016

LEGADO



A Mata do krambeck é a maior reserva florestal urbana particular do mundo - legado da família krambeck para juiz de Fora.
GRUPOS DE DANÇA DO BORBOLETA EM BLUMENAU     https://youtu.be/6Jt3IrXVwxA
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

CHUCRUTE DANÇAS CHOPE E DETERMINAÇÃO

A HISTÓRIA É UMA GRANDE LOJA PARA MINHA FANTASIA E OS SUJEITOS DEVEM ADAPTAR-SE E TORNAR-SE EM MINHAS MÃOS, O QUE QUERO QUE ELES SEJAM.
                     FRIEDERICH VON SHILLER

Versão viva porque seu conteúdo é enriquecido a cada dia, conforme novas informações são acessadas – mande sua colaboração – a história da sua família - um link de seu negócio, se for de ligado à cultura alemã e faça contato conosco: lacstephan@yahoo.com.br
O livro tem sua edição esgotada.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A IMIGRAÇÃO ALEMÃ DE JUIZ DE FORA

AS LAVADEIRAS DA COLÔNIA.
Durante muitos anos, até a década de 1960, mais ou menos, Juiz de Fora, conviveu com a presença marcante das compridas carroças de quadro rodas, puxadas por cavalos e cheia de trouxas de roupas.
Os colonos alemães, não tiveram vida fácil.
Ao saírem de seu País (ou seja, de seu ecossistema e de seu contexto cultural) e se deslocarem para uma terra estranha, habitada por pessoas de fenotipía, costumes e línguas diferentes e não encontrando aqui o que fora prometido perderam a motivação.
Tinham muita saudade de sua terra natal e muitas vezes não encaravam bem a frustração das promessas não cumpridas e as dificuldades aqui encontradas.
Passavam sérias dificuldades financeiras e de subsistência, então, AS MULHERES ALEMÃS foram à luta.
Tornaram-se “LAVADEIRAS”.
Em certo dia, lembrando reminiscências com um amigo, que nada tinha a ver com a origem alemã, ele me disse que ,quando via aquelas mulheres entregando trouxas de roupas lavadas , nas casas do centro da cidade, enxergava um exemplo de perseverança e de luta pela sobrevivência e ele tinha razão.
Os Juiz-foranos mais antigos com certeza, vão se lembrar dessas carroças, apinhadas de trouxas atravessando as ruas de Monte Castelo e Bairro Fábrica ou do Jardim glória para chegar ao centro da cidade.
Lavar roupa “para fora”, trabalho pesado, não era, com certeza, uma atividade lucrativa, mas com essa atividade permitiram a sobrevivência de muitas famílias.
A elas, nosso carinho, respeito e homenagem.

PREFÁCIO
Quando pessoas de cultura diferente se encontram, destinadas a conviverem pelo resto de suas vidas, é desejável a aceitação de umas pelas outras e a evolução de ambas pelo intercambio de seus conhecimentos. Essa troca e assimilação de experiências se chamam aculturação.
Com a chegada dos Alemães iniciou- se esse processo. Hábitos da cultura dos brasileiros que aqui viviam se misturaram com os dos imigrantes. O convívio pacífico de pessoas humildes e trabalhadores em uma época de desbravamento aconteceram, mas, a vida era mais complicada para os vinham de um país distante com a língua, crenças religiosas, clima e tantos outros fatores díspares.
“Aos trancos e barrancos” tudo foi se encaixando naturalmente, com o passar dos tempos, os imigrantes alemães se tornaram autênticos brasileiros, contribuindo fortemente para a evolução dessa cidade que adotaram com a alma e com o coração.
É racional que as lembranças de sua terra natal e a saudade, levavam aos imigrantes a permanecer com alguns hábitos e tentar manter ou lembrar suas tradições, principalmente os hábitos alimentares, modo de construir suas casas suas crenças, suas maneiras de comemorar e outros fatores que por si só, jamais prejudicariam o convívio, muito pelo contrário somavam às tradições locais.
Os brasileiros aceitaram e admiraram os novos vizinhos, logo depois, chegaram os italianos, os árabes (os negros aqui já se encontravam) e nossa cidade desenvolveu dentro dessa mistura de valores enriquecidos e extraordinários.
Viajando nessas modestas escritas, vamos caminhando na estrada em que num determinado momento vai passar pelas festas alemãs do Borboleta, mas temos uma longa trajetória a percorrer antes de “tomar um chope e comer um salsichão, e uma floresta negra de sobremesa”.
Temos um trajeto, às vezes glamoroso, muitas vezes melancólico, pois, quem passou por esses caminhos eram pessoas prosaicas e não heróis. Não atravessaram por essas estradas, nobres nem cavalheiros.
São relatos da luta diária que deixaram marcas, registraram decepções e colocaram um véu por cima das manifestações culturais por muitos anos.
Depois de passar pelos folguedos vamos continuar até o registro de alguns imigrantes exemplares, que representam todos aqueles, que mesmo omitidos, são carregados de valores e de orgulho das suas origens.
Alguns amigos da cultura alemã não são esquecidos.
Finalizando, oferecemos a cronologia dos fatos.


PORQUE “ALEMÃES”? A GEOGRAFIA DOS ESTADOS ALEMÃES NA ÉPOCA DA EMIGRAÇÃO
Originários do emaranhado geopolítico, consideramos alemães os imigrantes que pertenciam à uma nação alemã, unida pela língua, cultura e pela história comum em detrimento do Estado político-administrativo de sua procedência.
A identidade alemã é dada pelo conceito de "Kultur", com todos os seus significados correlatos, que se calca em fatos intelectuais, artísticos e religiosos, refletindo a consciência da nação. Daí porque consideramos alemães os imigrantes que faziam uso da língua alemã pelo direito pelo sangue, direito pela herança. Por esse conceito classifica-se de "alemão" independente do País/Estado onde tenha nascido.
Confederação dos Estados Alemães (1815-1866) Também chamada de Liga Alemã - cuja unidade consistia, essencialmente, no uso do idioma alemão - era, politicamente, muito diversificada: 35 estados independentes e quatro cidades livres. Consistia numa união pouco coesa de estados soberanos. Além da Áustria (até 1866), dela participaram os reinos da Prússia, Baviera, Württemberg, Hannover (sob o domínio do rei da Inglaterra) e Saxônia; os Grão-Ducados Mecklemburg-Schwering-Strelitz, Oldenburg, Hesse-Darmstadt, Saxe-Weimar e Baden; o eleitorado de Hesse-Kassel; os ducados de Brunswick, Nassau, Anhalt-Dessau-Bernburg-Göthen, Saxe-Koburg-Gotha, Saxen-Meiningen-Altenburg-Hildburghausen e Holstein (sob o domínio do rei da Dinamarca); parte dos Países-Baixos (sob a jurisdição do Gran-Duque de Luxemburgo); as quatro cidades-livres de Frankfurt/Meno, Bremen, Hamburgo e Lübeck, somados ainda de um grande número de pequenos principados independentes.
"As primeiras, originais, e verdadeiramente naturais, fronteiras dos estados são, sem qualquer sombra de dúvida, as suas fronteiras interiores. Aqueles que partilham do mesmo idioma estão ligados uns aos outros por um conjunto de laços invisíveis da própria natureza, muito antes de a arte humana ter tido início; entendem-se entre eles e têm o poder de continuarem a fazerem-se entender de forma cada vez mais clara; pertencem uns aos outros, e são, por natureza, um todo inseparável".
"Uma língua comum pode ter sido base para uma nação mas, seria necessário algo mais do que semelhanças linguísticas para unificar centenas de políticas. A experiência dos estados de língua alemã da Europa Central durante os anos da hegemonia francesa, contribuiu para a percepção de uma causa comum para expulsar o invasor francês, e tomar o controlo sobre as suas próprias terras".
https://pt.wikipedia.org/wiki/Unifica%C3%A7%C3%A3o_Alem%C3%A3
MAPA DA "ALEMANHA" EM 1856/58 QUANDO ACONTECEU A IMIGRAÇÃO
Império Austro-Húngaro (1867-1918) 
Posteriormente, foi criado o Império Austro-Húngaro que era constituído pela Áustria (grande parte de etnia alemã) e pela Hungria (integrada pelos sérvios, croatas, eslovacos, eslovenos, rutenos e, sobretudo, tchecos - Boêmia e Morávia - e pelos poloneses - Galícia). Ambos os países encontravam-se unidos pela instituição monárquica, representada por Francisco José I, ao mesmo tempo imperador da Áustria e rei da Hungria. Cada país responsabilizava-se pela respectiva administração interna; a fusão, entretanto, configurava-se em questões relativas à política externa, à economia e à guerra que eram regidas por ministérios comuns.

ALEMANHA 1945 a 1989
Durante as duas guerras mundiais  muitas alterações político-geográficas ainda aconteceram, inclusive a divisão do pais em dois: Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, dominada pelos comunistas.   

ALEMANHA ATUAL
Até que a partir da queda do muro de Berlim em 1989, pelo fracasso do comunismo, as duas Alemanhas voltaram a ser só uma.



A ESCOLHA DOS ALEMÃES PARA COLONIZAR O BRASIL.
Os portugueses e seus descendentes já estavam no país os espanhóis eram os inimigos no sul, contra os quais se tinha de defender as fronteiras. Os franceses antes atacaram o Rio de Janeiro, tentando fundar ali a França Antártica. Os ingleses também haviam tentado se estabelecer no Brasil, e os holandeses mantiveram o Nordeste ocupado por 24 anos.
A imperatriz Leopoldina era filha do imperador da Áustria, mas era alemã, da dinastia dos Habsburgo.
D. Pedro I admirava o exército da Prússia, região que resultaria posteriormente parte da Alemanha. O Brasil precisava de soldados, pois quem iria defender o Brasil, depois da independência?
Existe uma teoria que Dom Pedro estava interessado, na verdade nos mercenários, mas para não expor sua intenção, chamou também colonos para povoarem o país.
O Brasil tinha necessidade de substituir a mão de obra escrava, devido às diversas leis em favor da liberdade dos escravos que culminaram na abolição em 1888.

A ESCOLHA DOS ALEMÃES PELO BRASIL?
Ninguém pode dizer exatamente o que motivou essas pessoas emigrarem para o Brasil, com certeza procurava as condições para progredir que não encontravam mais em sua terra Natal.
Os mais jovens, certamente, vinham pelo espírito de aventura outros foram movidos pelo desejo de progredir, de levar uma vida melhor, o que não era possível em seu país naquela época. Nas famílias alemãs, apenas o filho mais velho herdava. Mas era comum terem oito, dez ou até mais filhos.
Possuir terras era um sonho para muitos. E que terras! Sessenta ou 70 hectares eram uma quantidade impressionante.
As guerras napoleônicas haviam levado miséria e caos à liberdade de crença. Alemanha na época da emigração para o Brasil. As lavouras eram destruídas, casas incendiadas, morte, os homens foram dizimados, as mulheres violentadas pelos soldados.
A região do Rio Reno, de onde emigraram muitos, sempre havia conflitos e guerras.
As falsas benesses oferecidas pelo governo brasileiro foram motivo para os alemães emigrarem.

A PRESENÇA DOS ALEMÃES NO BRASIL
O primeiro "alemão" a chegar ao Brasil foi o astrônomo e cosmógrafo Meister Johann, exercendo a função de náutico de Pedro Álvares Cabral. Natural de Emmerich, atual Alemanha, por ocasião da descoberta, emitiu o "certificado de nascimento do Brasil".
Consta que também o cozinheiro de Pedro Álvares Cabral seria originário da região onde hoje se localiza a Alemanha.
Hans Staden (1525 - 1576), de Homberg, esteve no Brasil e foi quem escreveu o primeiro livro em língua alemã sobre o Brasil.
A imperatriz Leopoldina era filha do imperador da Áustria, mas era alemã, da dinastia dos Habsburgo.

INÍCIO DA EMIGRAÇÃO NO BRASIL - NOVA FRIBURGO OU S. LEOPOLDO?
Os primeiros imigrantes alemães foram trazidos ao Brasil pelo Rei Dom João VI. Em 1818, o governo autorizou e entre 1819 e 1820, chegaram ao Brasil 261 famílias de colonos suíços, totalizando 1.686 imigrantes.
A sua maioria era composta de suíços de cultura e língua francesa. Estas fundaram o
Município de Nova Friburgo em 1824 dois meses antes de São Leopoldo. No mesmo ano, colonos alemães são mandados para a Bahia.
O outro movimento organizado nessa área foi de imigrantes alemães que também se estabeleceram na mesma região em três de maio de 1824 o que originou a atual cidade de Nova Friburgo no Estado do Rio de Janeiro.
Os escritores do Sul alegam que: Os Suíços que se estabeleceram em Nova Friburgo em 1819/1820 “não eram alemães”, pois vieram onde hoje é a Suíça, portanto eram “Suíços”, para tentarem colocar São Leopoldo como berço da colonização alemã no Brasil com a data de 1824.

COMO SURGIU SANTO ANTÔNIO DO PARAIBUNA (JUIZ DE FORA)
As origens da cidade remontam a época do Ciclo do Ouro, confundem-se com a história de Minas Gerais.
Essa região era habitada pelos índios purís e coroados e foi desbravada com a abertura do Caminho Novo, estrada construída a partir de 1707 para o transporte do ouro da região de Vila Rica até o porto do Rio de Janeiro.
O primeiro povoado surge por volta de 1713 quando uma expedição bandeirante liderada por Garcia Rodrigues Paes Leme, filho de Fernão Dias, o célebre desbravador das terras mineiras, chegou ao lado esquerdo do Rio Paraibuna onde foi construída, mais tarde, a Fazenda do Alcaide-mor, Thomé Corrêa Vasques, genro de Garcia.
A construção desse caminho favoreceu a ocupação do vale onde se encontra o município de Juiz de Fora, dando origem também a outros municípios do entorno.
O reino de Portugal como forma de retribuir os serviços prestados distribuiu grandes porções de terras (sesmarias), das quais quatro foram cedidas a Garcia .
A sesmaria que correspondeu ao hoje Município foi vendida em 1713 por João Oliveira, seu primeiro proprietário, ao Dr. Luís Fortes Bustamante e Sá, um juiz da cidade do Rio de janeiro. Devido ao cargo que ocupava, a margem direita do rio na região em que surgiu a vila de Santo Antonio sesmaria passou a ser chamada como Sesmaria do Juiz de Fora.
A Fazenda Velha, como foi chamada até a demolição do sobrado da Avenida Garibaldi, tornou-se um dos referenciais da época.
Em 1820 existia oficialmente o povoado de Santo Antônio do Paraibuna.

HEINRICH WILHELM FERDINAND HALFELD

FUNDADOR DA CIDADE 
Dois tenentes engenheiros, mercenários, foram trazidos da Alemanha, para formar o "Corpo de Tropas Estrangeiras” do Exército Brasileiro, após a proclamação da Independência. Eram os tenentes Halfeld e Koeler, que foram, respectivamente, fundadores de Juiz de Fora e de Petrópolis.
Em 1836 Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld foi nomeado "Engenheiro da Província de Minas Gerais", quando passou a residir na cidade de Vila Rica (Ouro Preto).
Em 1837 Foi designado para construir a Estrada do Paraibuna ligando Vila Rica, então capital Mineira, à Paraibuna, na divisa com o Rio de Janeiro.
Halfeld aproveitou vários trechos do Caminho Novo durante a execução da empreitada para qual tinha sido contratado, desviando-o, porém, para do Paraibuna.
A estrada foi foi construída no período de 1836 a 1838.
Sua primeira esposa faleceu em Ouro Preto, em 13 de maio de 1839.
Durante as obras próximas à região de Santo Antonio do Paraibuna ficou hospedado na fazenda do tenente Antônio Dias Tostes e posteriormente em 8 de Janeiro de 1840, casou-se com sua filha, Cândida Maria Carlota, em segundo matrimonio.
Quando Halfeld chegou à essa região não havia nenhum agrupamento urbano além do Morro da Boiada e a Fazenda do Juiz de Fora.
Com a estrada a região teve um novo impulso, para a formação do que seria o município, propiciando o surgimento do arraial que em 31 de maio de 1850 foi elevado à categoria de Vila com o nome de Santo Antônio do Paraibuna.
Em 1855 na Vila de Santo Antônio do Paraibuna, havia um total de 4 mil escravos para 2.400 homens livres.
Em 02 de maio de 1856, a Vila tornou-se o município do Paraibuna, recebendo a atual denominação de Juiz de Fora em 1865, proposta pelo Barão de São Marcelino à Assembléia Provincial.
Naquela época, foi iniciado o primeiro planejamento urbano da cidade, ficando a cargo do engenheiro Gustavo Dolt o desenho da primeira planta. Esta se constituía no alinhamento e nivelamento das ruas, na demarcação de praças e logradouros públicos e na previsão do futuro traçado da sua parte central orientando a expansão da cidade, buscando satisfazer as necessidades de saneamento e higiene.
LINK -SOBRE HALFELD

MARIANO PROCÓPIO FERREIRA LAGE
Mariano Procópio foi um dos maiores empresários de Juiz de Fora, em todos os tempos, alavancou o desenvolvimento econômico e social com ações que influíram e definiram definitivamente o futuro dessa cidade.
MARIANO PROCÓPIO FERREIRA LAGE Nasceu em Barbacena em 23 de junho de 1821 e faleceu em Juiz de Fora a 14 de fevereiro de 1872;
Tinha a formação em engenharia,foi político e de expressão e empresário de expressão era filho de Maria José de Santana, 1.ª baronesa de Santana;
Foi eleito deputado provincial em 1861 e representante de Minas Gerais na Assembleia Geral do Império entre 1861-1864 e 1869-1872;
Fundou a Colônia D. Pedro II (1858) para imigrantes alemães;
Criou a Escola Agrícola União e Indústria (1869);
Mariano, também foi fundador e presidente do Jockey Club Brasileiro no Rio de Janeiro e oficial da Legião de Honra da França;
Iniciou em 1861 a construção da Villa Ferreira Lage, onde posteriormente se instalou o primeiro museu histórico de Minas Gerais, fundado em 1915 por seu filho ALFREDO FERREIRA LAGE;
Construiu a Estrada União Indústria;
Foi diretor na Estrada de Ferro.
Foi, também, comerciante e produtor agrícola, autor de livros técnicos e investidor em imóveis e ações.

CIA. UNIÃO INDÚSTRIA
A Companhia União Indústria foi criada por Mariano Procópio em 1854, com o principal objetivo de construir a Estrada União Indústria, entre Petrópolis e Juiz de Fora. Foi essa empresa que firmou os contratos com os primeiros imigrantes alemães , artesãos e profissionais, para trabalhar nessa empreitada "cerca de 20 profissionais e suas famílias). Embora a participação desses artífices tenha sido importante na construção dessa estrada, não foi, primordial, pois, em determinado momento, cerca 1500 pessoas trabalhavam nessa empreitada, inclusive muito escravos, embora, a Autorização de D. Pedro II para a construção da estrada, proibia essa prática. Os escravos eram alugados nas fazendas onde a estrada era construída.  
Foi a Cia. união Indústria que idealizou e executou o projeto da "Colônia D. Pedro" que trouxe para Juiz de Fora a maior parte dos imigrantes alemães.
[... "O capital inicial da Cia. União e Indústria era de 5 mil contos e a empresa tinha o objetivo de ser uma prolongamento das comunicações dos empreendimentos do Barão de Mauá; a linha de navegação a vapor da Corte ao porto de Mauá à Raiz da Serra e a estrada de rodagem da serra até a Vila Teresa.
O capital seria remunerado, com a renda de 5 por cento sobre as cargas transportadas garantida por lei provincial, mais tarde aumentada de 2 por cento por lei imperial.
Mas a construção da estrada de ferro D. Pedro II veio a ameaçar a vida da Cia. União e Indústria.
Ao termino das obras de construção da rodovia, a Cia. defrontava-se com dificuldades financeiras, dadas às grandes despesas realizadas. Felizmente, para a empresa as obras de construção da estrada de ferro demoraram e a União e Indústria pôde respirar.
A verdade porém é que mariano Procópio, o grande responsável pela União e Indústria, estava arruinado quando faleceu em 14 de fevereiro de 1872.
Seus bens foram à praça e sua viúva fez enorme esforço para preservar a chácara onde morava em Juiz de Fora."[...]

LINK A HISTÓRIA DE PETRÓPOLIS CLAUDIONOR DE SOUZA ADÃO
O local onde funcionava a Cia. União & Indústria foi cedido em 1882 para a fábrica de tecidos Steele, Morrith & Whytaker, conhecida como “Fábrica dos Ingleses”, mais tarde, “Industrial Mineira” e, finalmente, Companhia Têxtil Ferreira Guimarães.
LINK RELATÓRIO DA CIA UNIÃO INDÚSTRIA
LINK A CIA UNIÃO INDÚSTRIA EM DIFICULDADES

OS ALEMÃES EM SANTO ANTÔNIO DO PARAIBUNA
A maior parte dos primeiros imigrantes alemães em Santo Antonio do Paraibuna eram de camponeses. Mas também vieram muitos artesãos que contribuíram para o início da industrialização.
Em 2 de novembro de 1855, em Hamburgo, na Alemanha, cerca de 120 alemães, (mais ou menos 20 profissionais e suas famílias) embarcaram para o Brasil. O veleiro Antílope partiu com destino ao Rio de Janeiro, aonde chegou em 28 de dezembro, após 56 dias de viagem. Dali tomaram um vapor até Estrela, às margens do Rio Inhomirim, nos fundos da baía de Guanabara.
Embora a Companhia União e Indústria tivessem prometido "transporte grátis", os artífices e seus familiares tiveram que seguir a pé, com as mulheres e crianças sendo levadas em carroções.
Seguiram todos pelo Caminho de Estrela, e subiram a serra até Petrópolis e de lá foram para Paraíba do Sul de onde seguiram até o destino final em Juiz de Fora, aonde finalmente chegaram em 7 de janeiro de 1856, sendo recepcionados com grande festa.
Dentre os artífices, havia folheiros, pedreiros, , carpinteiros, fabricantes de carroças, ferreiros, entre outros, que foram empregados pela Cia União Indústria, para, principalmente, trabalharem nas obras de construção e manutenção da Estrada União e Indústria e das Estações de Muda.

No contrato com esse primeiro grupo em 1856, aqui classificado como de artífices, a Companhia União e Indústria se comprometia a pagar as despesas da viagem para o Brasil, empregá-los durante dois anos com salário de 2.000 réis mensais e fornecer alojamento e alimentação durante a vigência do contrato.Pelo menos esse foi o contrato assinado entre o preposto da Cia. União Indústria em Hamburgo, H. F. Eschels, e o mestre de seges Heinrich Griese (1826-1917), natural de Preetz, Holstein. Além desse segeiro, Luiz José Stheling identificou apenas outros cinco artífices germânicos que se estabeleceram dessa forma na cidade: os ferreiros Pedro Schubert Sênior e João Ulrico Schiess, os seleiros João Stiegert e Baltazar Weydt e o folheiro Frederico Peters. A este grupo deve ser acrescentado o nome do ferreiro Balthazar Espeschit (?-1890), originário do Grão-Ducado de Essen, no vale do Rur, onde trabalhou para a família Krupp. (Ver STEHLING, Luiz José. Op. cit., pp. 149-152, 415-432 e ESPESCHIT, Lindolpho.)
Foram instalados no Vilagen que é atualmente a região da Rua Bernardo Mascarenhas e bairro Fábrica.
Esses contratados puderam assim formar uma boa reserva pecuniária. Ao término dos dois anos, estabeleciam-se por conta própria com base na poupança amealhada. Deste grupo saíram os primeiros industriais da Zona da Mata.
Em 1858 vieram os colonos alemães em cinco barcas, todas originárias de Hamburgo com destino ao Rio de Janeiro. No período de maio a agosto, chegaram a Juiz de Fora cerca de 230 famílias num total de 1.162 imigrantes.
Esses colonos obtiveram vantagens menores.
O transporte do Rio até a Colônia Dom Pedro II era gratuito, mas as despesas de viagem da Alemanha ao Brasil eram financiadas pela Cia em 4 anos.
O salário mensal caía para 1.500 réis, a moradia era garantida por um ano apenas e alimentos e demais produtos necessários eram adquiridos pelo próprio colono.
Esses alemães ficaram por quase um ano instalados num acampamento na subida do antigo Morro da Gratidão, atual Morro da Glória, ao lado de um lago fétido (largo de S. Roque).
Enfim foram viver na Colônia agrícola D. Pedro II, que depois foi chamada de “colônia de cima” e após a proclamação da república passou a se chamar Colônia D. Pedro.
A partir de 1860 a Cia iniciou a venda das glebas aos colonos, com financiamento de quatro anos. A partir daí muitos deles tornaram-se mão de obra assalariada para os fazendeiros da região, já como reflexo da Lei do Ventre Livre em 1871.
A meio caminho entre a Vilagen e D. Pedro, surgiu uma nova área populacional conhecida como "Colônia de Baixo" e designada pelos próprios alemães como "Sítio do Borboleta", pois as terras haviam pertencido ao exilado Uruguaio, Ramirez Mendoza Borboleta.
Em apenas quatro meses, com a chegada dos imigrantes a população da cidade aumentou em 20%.

OS COLONOS "NÃO VIERAM"  DE UMA "ALEMANHA" - ESTA AINDA NÃO EXISTIA COMO ESTADO- "NEM CHEGARAM" A  "JUIZ DE FORA - AINDA NÃO ERA UM MUNICÍPIO E SE CHAMAVA SANTO ANTÔNIO DO PARAIBUNA.

A COLÔNIA DE CIMA

DEPOIMENTO DE ROBERTO DILLY
A Colônia de Cima, atual bairro São Pedro, foi totalmente ocupada pelos imigrantes germânicos, que construíram casas simples, de tijolos aparentes e telhado “chalet”, apropriado para neve. Eles plantavam suas hortas, criavam aves e suínos, dedicavam-se ao trabalho e à religião. Essa região era considerada como zona rural de Juiz de Fora e havia grandes dificuldades para se chegar até a cidade.
Com 83 anos, Cecília Hagale Lima, moradora do bairro São Pedro, conta que muitas crianças estudavam na Escola Fernando Lobo, no bairro São Mateus. Para chegar até lá, elas saíam, por volta de 9,00 hs., em pequenos grupos e desciam à pé pelo lugar conhecido como “matinho”, uma trilha que passava por onde hoje se encontra a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O percurso levava cerca de uma hora e era preciso fazê-lo todos os dias. “Às vezes a gente aproveitava e levava o almoço para quem trabalhava na cidade. Assim dava para ganhar um trocadinho”, relembra Cecília. Outras formas utilizadas pelos imigrantes e seus descendentes para “ir à Juiz de Fora” eram as carroças e os animais.
D. Cecília conta as dificuldades que as moradoras do bairro São Pedro que trabalhavam da Tecelagem Ferreira Guimarães tinham para chegar à fábrica. Clique aqui e ouça.
De acordo com Roberto Dilly, esse “afastamento” do município contribuiu para que os alemães mantivessem de forma mais efetiva sua cultura e seus costumes. “Até a década de 60, quando se subia a ‘estrada velha’, atual Estrada Engenheiro Gentil Forn, podia-se perceber claramente que se entrava em um local marcadamente alemão, diferente do restante da cidade. As casas com tijolos aparentes, os cabelos loiros e os olhos claros dos moradores que falavam ainda com sotaque carregado de alemão mostravam as particularidades da região”, relembra.
Juiz de Fora Online - Produção laboratorial em Jornalismo, da disciplina "Técnica de Produção Jornalística em Hipermídia", do sétimo período da Faculdade de Comunicação (UFJF). Matérias e reportagens locais. Coordenação atual: Prof. Carlos Pernisa Júnior. Coordenação anterior: Profa. Dra. Iluska Coutinho e Profa. Ms. Simone Martins.
COMO VIVIAM OS IMIGRANTES

O LADO POSITIVO DA COLONIZAÇÃO EM JUIZ DE FORA
Os colonos eram trabalhadores que alem de cumprir com seus compromissos em suas profissões, mantinham uma produção caseira daquilo que necessitavam. Em suas casas havia belos jardins, horta, arvores frutífera e criavam porcos e galinhas.
Suas casas demonstravam a simplicidade de suas vidas, eram aconchegantes, limpas e receptivas. Na frente o jardim com imensa variedade de plantas e de flores, nos fundos a horta com variedade de hortaliças e legumes.
Um costume interessante que trouxeram de suas origens era de era de plantar algumas flores em volta e no meio da horta que funcionavam como barreira de proteção para as pragas.
As galinhas e porcos ficavam em cercados separados mais ao fim do terreno. Muitos criavam vacas, principalmente em S. Pedro.
Assim como na Alemanha, o porco tinha uma forte presença na alimentação e significava fartura, ao abatê-los, tudo se aproveitava: faziam chouriços, branco, com os miúdos e preto com o sangue e redanho; o “queijo de porco” (chúadema era o que se entendia quando pronunciavam Schuwartenmagem) utilizava a banha para cozinhar e a carne era conservada por longo tempo nessa mesma banha e faziam linguiças (A famosa linguiça de Juiz de fora surgiu daí).
Um prato muito comum e delicioso era a “repolhada” que era um tipo de cosido feito com as costelinhas de porco, muito repolho e batatas e ao adaptar para o Brasil era servido com, arroz e angu.
As mulheres alem dos afazeres normais, faziam pães, biscoitos, geleias de frutas, manteiga, queijo e conservas como o chucrute e picles.
Bebiam bastante, fabricavam cerveja (chegamos a ter 8 fabricas funcionando simultaneamente) e muitas vezes tinham que fazer adaptações, pois não encontravam as matérias primas que existiam na Alemanha, por exemplo, fabricavam uma espécie de vinho de laranja. Gostavam muito da cachaça Brasileira.
Os colonos eram alegres e festeiros, gostavam de cantar e de dançar e formaram bandas e corais e faziam bailes aos domingos à tarde em casas de compadres e parentes. Adoravam serenatas e era comum atravessando as estradas da colônia, ouvi-los cantar.
Faziam passeios e piqueniques em áreas livres.


O LADO CURIOSO DA COLONIZAÇÃO
A maneira “embolada” de falar dos imigrantes e até de alguns descendentes, devido ao sotaque característico, causava situações curiosas no cartório de registro civil.
Ao informar o nome do filho que seria registrado a maneira de dizer acabava mudando os nomes.
Gerson virou Gelso, Anderson se transformou Aderson ou Adelso e assim por diante.
Apareceram, então, nomes como:
 Adelzeter,Adalto,Gilso Etc.
Os sobrenomes também eram grafados de varias formas, por exemplo: Schäefer , Scheffer,Schäfer.
E palavras como Schwartsmagem virou Chuadema.


O LADO ALEGRE DA COLONIZAÇÃO EM JUIZ DE FORA
LINK Veja na página das festas alemãs
O LADO TRISTE DA COLONIZAÇÃO EM JUIZ DE FORA 
Os Alemães ao saírem de seu País (ou seja, de seu ecossistema e de seu contexto cultural) e se deslocarem para uma terra estranha, habitada por pessoas de fenotipía, costumes e línguas diferentes e não encontrando aqui o que fora prometido perderam a motivação.
Tinham muita saudade de sua terra natal e muitas vezes não encaravam bem a frustração das promessas não cumpridas e as dificuldades aqui encontradas.
Surgiram as doenças psicossomáticas, fortemente influenciadas pelas diferenças culturais.A cultura pode, até mesmo, decidir sobre a vida e a morte dos membros do sistema.
Surgem doenças, fortemente influenciadas pelos novos padrões culturais a que são submetidos.
Nas Colônias Alemãs de nossa cidade se observava a forte presença de um sentimento de “fraqueza de personalidade”, de apatia, de falta de empenho ou, seja, foram tantas as adversidades que os colonos se “entregaram”.
Apesar da forte personalidade atribuída ao povo alemão a maioria não conseguiu superar a imensa malha de problemas.
O alcoolismo foi uma das consequências, muitas famílias enfrentaram essa situação e em função das dificuldades de sobrevivência, se os homens iam beber, as mulheres passaram a lavar roupas para as famílias mais abastardas do centro da cidade.
Durante um longo período eram comuns as carroças, cheias de trouxas sujas subiam em direção às colônias e depois desciam em direção ao centro com as trouxas de roupa limpa e passada.
DOENÇAS - A PERNA ENROLADA
“Meu avô Jacob Stephan, faleceu em 1953, depois de amputar uma perna, porque tinha machucado num talo de couve na sua horta” (Luiz Antonio C. Stephan)
“Era difícil ver um colono que não tivesse perna enrolada” (Elisa Masson Frank).
Esses depoimentos servem para demonstrar um dos males que acometiam os colonos alemães em Juiz de Fora. Feridas nas pernas eram constantes em todas as famílias. O que seria?
Provavelmente seriam varizes, trombose venosa, aterosclerose, diabetes ou hipertensão arterial e localizam-se, na maior parte dos casos, nos tornozelos ou terço inferior das pernas.
A úlcera na perna se desenvolve porque a hipertensão as pessoas ficarem em pé por muito tempo, ocasiona uma isquemia ou deficiência de circulação do tecido gorduroso e da pele. O trabalho duro a que os colonos se submetiam e a alimentação que estavam habituados, no clima frio da Europa e que continuaram a consumir no clima quente com certeza se relacionam com essas doenças.
O sol forte dos trópicos também causava problemas na pele muito branca dos imigrantes.
A presença da febre tifoide e de outras doenças tropicais foi uma constante no período de colonização.

INDUSTRIAL MINEIRA (A FÁBRICA DOS INGLESES)
O local onde funcionava a Cia. União & Indústria foi cedido em 1882 para a fábrica de tecidos Steele, Morrith & Whytaker, conhecida como “Fábrica dos Ingleses”, mais tarde, “Industrial Mineira” e, finalmente, Companhia Têxtil Ferreira Guimarães.
Existia uma intensa aproximação desse estabelecimento industrial com o bairro. Foi ali que a empresa buscou um número expressivo de empregados e era dali que boa parte dos moradores do Bairro buscou seu alento.
Exatamente depois do fracasso da colonização, como meio de vida, os borboletenses encontraram nessa empresa o seu sustento, era raro encontrar uma família naquela área que não tivesse pelo menos um membro trabalhando lá.
Podemos dizer que a empresa num modelo de produtivo da Era Industrial, próprio da época, encontrou nesse bairro a mão de obra com as características sociológicas que precisavam?
Um povo trabalhador, com características culturais europeias, precisando de sustento, foi um celeiro de colaboradores excelentes e duradouros, com facilidade de treinamento desse pessoal, devido a sua cultura.
Para o Bairro também foi excelente, com certeza teve seu PIB elevado.
Temos notícia de funcionamento de uma escola do SENAI no Borboleta e quem conhece a estrutura dessa entidade sabe que só teria um estabelecimento num local com quantidade expressiva de industriários.
Portanto durante quase um século os colonos e descendentes tiveram um forte relacionamento com a “Fábrica dos Ingleses” que com o nome de Ferreira Guimarães só encerrou as atividades no final do século XX.

A CULTURA INIBIDA

O QUE ACONTECEU COM A CULTURA ALEMÃ?
Alguns fatos surgiram e inibiram fortemente a cultura alemã , que ficou restrita por muitos anos nas casas e na memória das pessoas. Fatores esses ocorridos em função de questão política e de estranhamento, que veremos.
Em função do que serão expostas, durante longo período essas manifestações foram silenciadas.

OS PROBLEMAS NA IMIGRAÇÃO
O governo alemão chegou a proibir em 1859, um ano depois do início da colonização em Juiz de Fora, a emigração para o Brasil em projetos de colonização devido a diversos problemas:
A viagem era temerária, os emigrantes às vezes tinham de esperar cerca de dois meses no porto de Hamburgo em condições precárias, onde inclusive ocorriam óbitos.
Os passageiros embarcavam nos navios, em viagens que poderiam durar cerca de 3 a 4 meses e as pessoas viajavam espremidas, com alimentação deficiente e má higiene, havendo inúmeros óbitos por causa de epidemia e muitos morriam ao chegar ao Brasil, por causa de doenças tropicais.
Os alemães sofreram para se adaptar ao clima brasileiro, ao idioma e às novas condições de vida primitivas.
Em alguns casos, aqui chegavam e por não estarem suas terras demarcadas, ficavam alojados em prédios ocupados antes por escravos, aguardando durante meses o assentamento em seus lotes por isso surgiam muitas brigas.
O isolamento das colônias também dificultava porque faltava acesso médico para doenças ou partos.
A situação precária para sobrevivência causava muita decepção e desgosto, pois não eram as perspectivas que tinham quando decidiram emigrar. As promessas de que iriam para o "paraíso" aumentavam o sofrimento, quando estavam frente a frente a matas fechadas para derrubarem a machado, onde inclusive as mulheres ajudavam.
A espera pelo cumprimento de promessas como o desenvolvimento da região com a construção de vias de acesso e a promessa de subsídio com dinheiro ou instrumentos de trabalho (ferramentas, sementes, gado, material de construção) não foram cumpridas na maior parte das colônias alemãs.
A liberdade de culto de religião, apesar de declarada, era somente tolerada, pois ia contra a constituição brasileira. Para tanto, os imigrantes protestantes não poderiam construir prédios que tivessem a aparência de igreja, como usando sinos e cruzes.
Em Juiz de Fora as terras recebidas pelos imigrantes eram simplesmente "ingratas": secas e ácidas, sem capacidade de boa produção de alimentos para a própria subsistência. Até descobrirem quão inférteis eram aquelas terras, já haviam investido trabalho, sementes e tempo ao tentar cultivá-las, e entre a espera da colheita e a frustração de não conseguir colher nada, passavam fome.

A Primeira Guerra
Em 28 de Junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, e sua esposa Sofia, Duquesa de Hohenberg, foram assassinados pelo sérvio Gavrilo Príncipe, que pertencia ao grupo nacionalista-terrorista armado Mão Negra(oficialmente chamado "Unificação ou Morte"), que lutava pela unificação dos territórios que continham sérvios, esse incidente desencadeou os eventos que deram origem à primeira guerra mundial
O Império Austro-Húngaro, apoiado por Berlim, tinha atacado a Sérvia em 29 de julho e a Alemanha tinha invadido a Bélgica em 3 de agosto
No dia 5 de abril de 1917 o vapor brasileiro Paraná, um dos maiores navios da marinha mercante, carregado de café, foi torpedeado por um submarino alemão a milhas do cabo Barfleur, na França, e três brasileiros foram mortos. Quando a notícia aqui chegou, poucos dias depois, eclodiram diversas manifestações populares.
O ministro de relações exteriores, Lauro Müller, de origem alemã e favorável à neutralidade guerra, foi obrigado a renunciar. Em todo o Brasil, passeatas foram organizadas com milhares de pessoas que passaram a atacar estabelecimentos comerciais de propriedades de alemães ou descendentes.
Em nossa Cidade documentos foram queimados, registros apagados, tradições esquecidas. Com os alemães do outro lado das trincheiras, os descendentes dos imigrantes alemães sofreram perseguições e precisaram mudar radicalmente suas vidas. No princípio do século eles ainda conversavam em alemão, as escolas ensinavam o idioma, que fazia parte do currículo.
A primeira cervejaria do município Fundada por Augusto Kremer em 1867: a Germânia mudou de nome para Cervejaria Americana em 1914. O sobrenome Clemens virou Clemente, Um ramo da família Stephan se transformou em Stephanon.

MEDIDAS TOMADAS PELA DITADURA VARGAS
Campanha de nacionalização foi o conjunto de medidas tomadas durante o Estado Novo de Getúlio Vargas para diminuir a influência das comunidades de imigrantes estrangeiros no Brasil e forçar sua integração junto à população brasileira.
Em1938 houve a obrigação do ensino do português, só brasileiros natos podiam ocupar cargos de direção, os professores deviam ser brasileiros natos ou naturalizados e graduados em escolas brasileiras, as aulas deviam ser ministradas em português e foi proibido o ensino de línguas estrangeiras.
Criou-se matéria obrigatória de educação moral e cívica proibição de falar idiomas estrangeiros em público, inclusive durante cerimônias religiosas (o Exército deveria fiscalizar as “zonas de colonização estrangeira”).
As associações culturais e recreativas tiveram de encerrar todas as atividades que pudessem estar associadas a outras culturas.
Também os meios de comunicação foram afetados, com a censura de programas de rádio e as restrições à imprensa em língua estrangeira. Em uma primeira fase os jornais foram obrigados a ter um redator brasileiro (incumbido da censura) e publicar edições bilíngues e artigos patrióticos de autores brasileiros. Depois veio a proibição definitiva, com o desaparecimento da maioria dos jornais e revistas afetados.
Os nomes de ruas, letreiros e cartazes das lojas e fábricas, e o nome de clubes e associações foram afetados.
Em 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi intensificada a repressão, com restrições às liberdades individuais: necessidade de autorização para viajar dentro do país; apreensão de livros, revistas, jornais e documentos, com destruição de parte da memória histórica da imigração, e eventual prisão daqueles que não falassem português.

PERÍODO PRÉ- SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
No período anterior a segunda grande guerra na Alemanha existia o Partido Nacional Socialista (nazismo), na Itália: Partido fascista (Fascismo) Em Portugal, Salazar e no Brasil: Partido Integralista Brasileiro (Integralismo). Os Eixistas eram aqueles simpatizantes com ALEMANHA-ITÁLIA E JAPÃO. A ideologia de Hitler encontrou adeptos em vários lugares inclusive no Brasil onde o Presidente Getúlio Vargas que era também um ditador e simpático à causa (o Estado novo getulista).
A década de 30 foi difícil para os alemães no Brasil, não somente por causa da nacionalização de Getúlio Vargas.
Falar alemão em público foi proibido. Em algumas colônias era proibido dizer Guten Morgen (bom dia), ao cumprimentar alguém na rua, havia quem denunciasse isso e o delatado podia parar na delegacia.
A polícia também chegava à casa das pessoas e dava fim em tudo o que estivesse escrito em alemão. Até bíblias foram confiscadas nessa época, e houve quem destruísse aqueles pratos de parede que as famílias alemãs tinham com os dizeres Glaube, Liebe, Hoffnung (Fé, amor, esperança), só para evitar problema.
Havia agentes nazistas que tentaram ganhar adeptos entre as colônias alemãs, mas, daí a concluir que todos os colonos alemães e seus descendentes eram nazistas, não tem cabimento.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
A Segunda Guerra Mundial opôs os Aliados às Potências do Eixo, começou em primeiro de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha e as subsequentes declarações de guerra da França e da Grã-Bretanha. Tanto a Itália quanto o Japão entraram na guerra pelo lado do Eixo
As demais potências opuseram-se a estes desejos do Eixo e juntamente com a União Soviética, após a invasão desta pela Alemanha, constituíram a base do grupo dos Aliados.
O Brasil acabou participando da Guerra junto aos Aliados porque em fevereiro de 1942, submarinos alemães e italianos iniciaram o torpedeamento de embarcações brasileiras no oceano Atlântico (?), com essas notícias chegando ao grande público começou uma intensa pressão popular.
Esse episódio deixou dúvidas sobre a realidade da época e Brasil foi convencido pelos Estados Unidos a tomar partido pelos aliados em troca da Siderúrgica de Volta Redonda.
Nesse tempo se começou utilizar também no Brasil uma forma de comunicação que despejava propagandas por todos os meio existentes na época: Radio Cinema, cartazes, jornais. Foi a época dos Estúdios Disney lançarem o “Zé Carioca” e também da Carmem Miranda, tudo para ”fazer a cabeça” dos brasileiros.
As tradições alemãs sofreram muito e, onde antes havia bailes, festas, teatro e cantoria, se estabeleceu o silêncio e o medo. Uma geração inteira ficou sem conhecer suas raízes, o que é importante como orientação e para a identidade. Muitos esqueceram o alemão que sabiam, ou nem aprenderam a língua, o que é uma perda irreparáveis.

COLABORAÇÃO:
MARIA DAS GRAÇAS SHÄEFER
Bibliografia:
-Pagina de Pesquisa de Paulino de Oliveira
-Entrevista de Telmo Lauro Müller
-Os Alemães na Borboleta- Vicente de Paula Clemente
-Site da Associação Cultural e Recreativa Brasil Alemanha
-WIKIPÉDIA
-História da Família Espeschit (sem identificação do informante
)


VINHO DE LARANJA

(Depoimento do Senhor Helvécio Gollner)

Os alemães da colônia de Juiz de Fora fabricavam um vinho feito com laranjas. Porque “laranjas? Porque não tinham maçãs ou uvas que era o que usavam em sua terra de origem.
Essa fruta cítrica era abundante e servia para a produção de vinhos. Os colonos não eram modestos na produção. Na época certa descascavam 30.000 laranjas, espremiam em uma prensa de madeira construída para essa finalidade e enchiam 30 “quintos” *de madeira.
O processo era mais ou menos assim:
Utilizavam um grande tacho para produzir uma calda de açúcar (cristal resultava em vinho branco e mascavo em vinho tinto).
Essa calda era misturada “meio a meio” com o suco, coado, da laranja e essa mistura era inserida nos quintos de madeira que ficavam totalmente vedados. Em um orifício na parte superior era instalado um cano de chumbo, em curva, cuja extremidade era mergulhada em vasilhame com água, de maneira que os gases produzidos pudessem sair e o ar externo não penetrasse.
A fermentação produzia borbulhas, o tempo todo, no recipiente com água e quando isso parasse de acontecer o vinho estava pronto e era engarrafado.
A MEDIDA QUINTO
Encontrei como referência o “quintal” português que corresponderia a um vasilhame que comportaria 100 quilos (litros?).


PETRÓPOLIS E JUIZ DE FORA

Podemos considerar essas cidades como cidades irmãs”, ambas foram fundadas pelos alemães Halfeld e Koeller, que chegaram juntos ao Brasil e as histórias dos imigrantes nas duas cidades são bem semelhantes, sendo que a colonização em Petrópolis começou mais cedo. A partir de 1837 quando chegou ao Rio de Janeiro o navio Justine com 238 imigrantes alemães, cujo destino seria Sidney, na Austrália e os viajantes resolveram permanecer no Rio de Janeiro e depois foram para a região de Petrópolis por interferência de Koeller.
Posteriormente já em projetos de colonização vieram muitos outros. Os primeiros saíram de Dunquerque no navio Virginie, sob o comando do capitão Faure em 28 de abril de 1845 chegando ao Rio de Janeiro em 13 de junho do mesmo ano.
Em 29 de junho de 1845 Koeller iniciou um processo de colonização similar ao de Juiz de Fora, realizado por Mariano Procópio, que trouxe para aquela localidade mais um número expressivo de imigrantes. Nessa data se comemora em Petrópolis o “dia do Emigrante Alemão” é realizada a “Bauerfest”

“ALEMÃO CASCUDO CARRAPATO BARRIGUDO
Procure na internet (que informa de tudo) e em outras fontes e não conseguira descobrir o que significa essas rimadas palavras. Sugere que haja um tom agressivo, mas não se consegue entender seu significado literal. De qualquer forma, essa frase foi usada para menosprezar ou ofender (?) os louros (as) de olhos azuis (também é um estereotipo,mas não são todos assim) que viviam por essa cidade afora.

“Alemão” (de forma pejorativa), “Alemão nazista”, “salsicha”, “Salsichão”, “Chucrute” “Comedor de chucrute”, “Ariano” são alguns termos utilizados com o intuito de tentar definir os imigrantes e seus descendentes.
Esse estranhamento existe com relação a todos os “diferentes” que aportam em outras culturas e não seria distinto com os alemães que aqui chegaram. O que pode ser agravante são esses estereótipos serem postos em evidência em momentos de conflito, considerando essas situações já descritas anteriormente.
O fato de que os alemães consumirem a “couve” em abundância deu origem ao fato de terem no estrangeiro a alcunha de couves, ou seja, "Krauts". (o repolho é considerado uma couve.)

domingo, 12 de janeiro de 2014

A QUESTÃO É: TRADIÇÕES ALEMÃS OU TRADIÇÃO DA COLÔNIA ALEMÃ DE JUIZ DE FORA, O QUE CHEGOU ATÉ NÓS NOS DIAS DE HOJE?

A QUESTÃO É: TRADIÇÕES ALEMÃS OU TRADIÇÃO DA COLÔNIA ALEMÃ DE JUIZ DE FORA, O QUE CHEGOU ATÉ NÓS NOS DIAS DE HOJE?
Quem nasce no Brasil é brasileiro independente da origem de seus pais, esse é o critério adotado aqui, o jus soli, na Alemanha e em outros países da Europa adota-se o jus sanguinis: mesmo nascendo em outro país, a nacionalidade do cidadão permanece a do seu país de origem. Não se trata apenas de uma condição geográfica, mas o jus sanguinis mantém o indivíduo com vínculos culturais ao país de seus ancestrais. 

O que observamos nos descendentes dos alemães que formaram etnicamente a população de Juiz de Fora é que, sem negar, absolutamente, as suas brasilidades, sentem muito orgulho de sua origem germânica.

Desde 1990 com o advento da Festa Alemã do Borboleta muito se tem feito em Juiz de Fora, para “resgatar a cultura alemã” em nossa cidade. Se antes existiam movimentos tímidos com relação à preservação dessa cultura, por questões de intimidação (primeira e segunda guerra mundial e governo nacionalista de Getúlio Vargas), esse evento deslanchou inúmeras manifestações sobre as “tradições alemãs em Juiz de Fora” 

Acontece que as questões culturais nem sempre são simples: os imigrantes alemães que aqui chegaram não vieram de uma nação organizada, a Alemanha não existia da forma que a conhecemos hoje, era um emaranhado geopolítico, que tinha uma língua em comum. 

A “identidade” alemã era dada pelo conceito de "Kultur", com todos os seus significados correlatos, que se calca em fatos intelectuais, artísticos e religiosos. Daí porque consideramos alemães os imigrantes que faziam uso da língua alemã pelo direito pelo sangue, direito pela herança. Por esse conceito classifica-se de "alemão" independente do País/Estado onde tenha nascido (voltamos ao jus sanguinis). 

A Liga Alemã (1815-1866), período da imigração dos alemães para Juiz de Fora (1856-1858) - cuja unidade consistia, essencialmente, no uso do idioma alemão - era, politicamente, muito diversificada: 35 estados independentes e quatro cidades livres. Consistia numa união pouco coesa de estados soberanos. Além da Áustria (até 1866), dela participaram os reinos da Prússia, Baviera, Württemberg, Hannover (sob o domínio do rei da Inglaterra) e Saxônia; os Grão-Ducados Mecklemburg-Schwering-Strelitz, Oldenburg, Hesse-Darmstadt, Saxe-Weimar e Baden; o eleitorado de Hesse-Kassel; os ducados de Brunswick, Nassau, Anhalt-Dessau-Bernburg-Göthen, Saxe-Koburg-Gotha, Saxen-Meiningen-Altenburg-Hildburghausen e Holstein (sob o domínio do rei da Dinamarca); parte dos Países-Baixos (sob a jurisdição do Gran-Duque de Luxemburgo); as quatro cidades-livres de Frankfurt/Meno, Bremen, Hamburgo e Lübeck, somados ainda de um grande número de pequenos principados independentes.Então, temos “Aemãoe da atual Áustria, da Dinamarca, da Polônia, da Holanda, de Luxemburgo , França etc. 
Esses estados /países eram muito fechados marciais e fortificados. Muitos deles teriam dialetos próprios, maneiras de produzir alimentos próximos, mas, diferentes (como o clima era próximo as matérias primas eram mais ou menos as mesmas) e temperos característicos, roupas e danças típicas próprias numa enorme diversidade cultural. 
Esse mix de “Estados” enfraquecidos e desorganizados pelas guerras napoleônicas permitiu que na primeira metade do século XIX muitos de seus cidadãos partissem em busca de novos horizontes. Milhares vieram para o Brasil e centenas desses chegaram à um lugar chamado Santo Antonio do Paraibuna que, seis anos depois se tornou o município de Juiz de Fora. 
Os primeiros 150 alemães que aqui chegaram em 1856 vieram para a trabalhar na construção da Estrada União Indústria os outros cerca de 1200 que aportaram em 1858 para um projeto de colonização (Colônia Pedro II). 
Esses germânicos, se vieram de um lugar que não estava lá grandes coisas, chegaram em aqui que também não era nenhum “paraíso”, diferentemente das propagandas a que foram submetidos lá na origem pelo governo brasileiro. Dizem até que D. Pedro II queria trazer mesmo eram os mercenários e autorizou as colônias para esconder a vinda desses para garantir militarmente a independência.
Os “alemães” chegam em Santo Antonio do Paraibuna. Demoram um tempo para se estabelecer, construir suas casinhas e entender que a terra não dá nada daquilo que eles estão acostumados a consumir. Vamos nos adaptar:
Vamos fazer vinho: Não tem uva, façamos com laranja.
Não tem Steinhäger vamos tomar cachaça.
Cerveja: tem que ser com milho
Pão: Só tem farinha branca, nada de centeio, cevada, aveia etc.
Carne de porco: sim é o que tem de mais próximo de lá, mas os nossos temperos não chegam aqui. 
Com o passar dos anos as gerações futuras foram abandonando as tradições e ficou muito pouco em São Pedro e no Borboleta: 
Pão Alemão (feito com farinha de trigo branca), Cuca de farofa, original e adaptações (banana, Coco goiabada), tortas Floresta negra e muitas adaptações; Chouriço Branco (Leberwurst) feito com miúdos de porco, chouriço preto (schwarzwusts) Linguiças (wurst) diversos tipos, Queijo de porco (Schwartsmagem ou chuadema) feito com miúdos de porco. 
Desde 1990 com o advento da Festa Alemã do |Borboleta muito se tem feito para “resgatar a cultura alemã”, certo? OU RESGATAR A CULTURA DA COLÔNIA ALEMÃ? Haja visto que da segunda ou terceira geração em diante o que se conhece é parte da cultura da colônia e não da cultura alemã que disso quase nada sobrou por tantas modificações.
Agora, depois da Festa, da formação da Associação Cultural e Recreativa Brasil Alemanha, dos grupos de dança, vai se formando uma nova “cultura alemã” em Juiz de Fora, trazendo aprendizado de outras regiões do Brasil e até de uma Alemanha, onde essas tradições, também já esfriaram bastante.
Como por exemplo cito a história dos “Produtos típicos Salsichão Branco (Weisswurst) Carré defumado (Kasseler) e Joelho de porco (eisbein) na Festa Alemã de 1990. 
- Eu e Edgard (Edgard Danilo Alves da Silva era meu sócio no "Stephan"). fazíamos um par perfeito há muitos anos: ele na fabricação e eu no marketing e vendas. Fabricávamos uma linha bem extensa de produtos com carne de porco: linguiças, frios defumados, linguiças e salgados e nossa empresa era um sucesso. 
Em maio de 1998 viajamos para Frankfurt am Main(=Frankfurt do Meno- É a Frankfurt famosa que conhecemos é chamada assim porque existe outra cidade homônima na Alemanha). onde permanecemos por três dias. O Principal objetivo era visitar a IFFA - Feira Internacional para a Indústria da Carne(Feira que é realizada a cada três anos e aborda todas as etapas da cadeia produtiva da carne, desde o abate, passando pelo processamento e embalagens, até a venda). Era nossa primeira vez na Alemanha e sabíamos estar no melhor lugar possível para aprender muito sobre nosso ramo. Ficávamos na feira desde que abria até quando fechava, visitamos 2 frigoríficos e fomos a restaurantes típicos e barracas de comida nas ruas. Um espetáculo, uma profusão de temperos diferentes, nas inúmeras variedades de embutidos e frios, tudo fabricado com carne de porco.
Já no Brasil, analisamos tudo que vimos e sentimos nessa viagem, ponderamos sobre nossos hábitos alimentares e optamos por lançar o que seria uma linha chamada de "produtos típicos alemães" composta dos seguintes produtos que já  fabricávamos: Salsichão (WURST) e linguiça temperada com vinho (Wein Wurst); e acrescentamos os novos produtos: Salsichão Branco (Weisswurst) Carré defumado (kasseler) e Joelho de porco (eisbein). Começamos, então, as vendas dessa nova linha.
Tudo corria dentro da expectativa, menos o tal do joelho de porco (eisbein)
Na Alemanha e no sul do Brasil esse produto era comercializado na forma de "salmourado", ou seja, salgado e para prepará-lo era necessário dessalgar passando por troca de várias águas(igual ao bacalhau), era servido cosido. Era gostoso, mas, tinha pouca carne, mais cartilagem, ficava muito branco e sem apresentação. Imaginamos: isso não vai "pegar". 
Depois de vários estudos e experiências chegamos a um novo "Eisbein" (à brasileira): O corte seria alongado em direção do pernil (para obter mais carne) e o produto seria defumado (do jeito que brasileiro gosta) aí começou a vender e a ser copiado em todo o Brasil.
Em outubro de 1989 o Luiz Chinelato, representando a Igreja de São Vicente de Paulo, no Borboleta, me procurou no "Stephan" (açougue) dizendo que precisava fazer uma festa para terminar o telhado da igreja.
Sugerimos, então uma "Festa Alemã ”, os produtos para desenvolver o cardápio da festa já estavam à disposição.
Foi aí que surgiu a "Festa Alemã do Borboleta"(versão atual) e a "tradição" dos produtos da colônia alemã de Juiz de Fora.